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IFSC forma primeira estudante surda em Jaraguá do Sul PDF Imprimir E-mail
Qui, 27 de Julho de 2017 09:05

Foi por acaso que Daiane Wisznieiwski chegou ao IFSC. As inscrições para os cursos técnicos estavam abertas e seu marido sugeriu que ela voltasse a estudar por meio do curso de Produção e Design de Moda do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro. Dois anos depois, a identificação com a área profissional, a persistência nos momentos mais difíceis e o apoio de amigos e servidores do câmpus foram as principais causas que levaram Daiane a se tornar a primeira estudante surda a concluir um curso técnico do IFSC em Jaraguá do Sul. Aprovada em todas as disciplinas, agora ela aguarda a cerimônia de formatura e o recebimento do certificado de conclusão do curso.

 

Daiane mora em Corupá – cidade vizinha a Jaraguá do Sul – e sempre trabalhou em empresas da área têxtil. Aprendeu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) com a irmã, que também é surda. E foi graças ao conhecimento de Libras e à existência de um intérprete no dia da prova que ela conseguiu estar entre os alunos selecionados para começar um curso técnico do Instituto Federal.

 

Porém, a conquista da vaga e o início das aulas trouxeram emoções bastante distintas. Quando foi aprovada, o casal comemorou muito em casa. “Meu marido gritou tanto de felicidade que eu chegava a sentir a vibração da voz dele”, conta. Porém, no início das aulas, a intérprete que havia auxiliado Daiane na prova já não estava mais no IFSC e ela enfrentou dificuldades para compreender o que acontecia nas aulas e na instituição. “Fiquei muito triste porque não tinha mais intérprete. As aulas começaram em outubro e foram assim até dezembro, mas eu não tinha vontade alguma de vir às aulas”, lembra.

 

Apenas no início de 2016, com a chegada da intérprete Kelly Pinho, Daiane conseguiu entender as aulas e passou a se interessar novamente no curso. “É muito ruim quando a gente não entende e fica só olhando. Quando chegou a intérprete melhorou muito!”, destaca.

 

Para Kelly, que acompanhou de perto Daiane dentro e fora das salas de aula ao longo do curso, o desempenho e o interesse da estudante surda chamaram a atenção. “Os trabalhos dela eram sempre muito bons e elogiados. Isso é mais um motivo de orgulho para nós, pois além de competente ela também era dedicada”, avalia a intérprete.

 

Para que Daiane pudesse ter acesso aos mesmos conteúdos e à mesma qualidade de formação que os demais colegas ouvintes, uma das medidas tomada pela equipe de servidores que atua no curso técnico em Produção e Design de Moda foi a adaptação de atividades e materiais. “Teve um projeto, na segunda fase, em que o tema escolhido pela turma foi 'música'. Mas eu sou surda! Então eu e a intérprete conversamos com a professora e ela quis substituir, no meu caso, por um texto. Mas eu expliquei pra ela que eu não escrevo em Português, eu escrevo em língua de sinais. Então todos os professores entenderam que era necessário fazer adaptações para além da presença da intérprete em sala de aula”, explica a estudante.

 

A dificuldade financeira também foi um problema que surgiu durante o curso. Como a área de formação exige que os estudantes produzam roupas e eventos, a perda do emprego no início deste ano fez com que Daiane quase desistisse das aulas. “Fui falar com a coordenadora do curso, a Vivian, e expliquei a minha situação. Mas aí ela encontrou uma solução para contornar esses gastos e eu consegui ir adiante, chegando até aqui e concluindo o curso”, diz.

 

Com a formatura agendada para o dia 18 de agosto, Daiane agora faz planos para empreender na área de moda. “Penso em abrir, em breve, um pequeno ateliê. Sei que a língua vai ser uma barreira, mas uma possibilidade é ter meu marido junto, pois ele é ouvinte e poderia fazer a interpretação de uma língua para outra. Tomara que dê tudo certo!”, espera.

 

Rede de apoio

 

Além da presença da intérprete e do apoio constante do marido, uma rede de apoio se formou para dar suporte à trajetória de Daiane no curso. Fizeram parte dessa rede a equipe do Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, os amigos de Daiane e a equipe de servidores do câmpus, em especial os professores do curso técnico em Produção e Design de Moda.

 

Segundo a professora Talita Borges, a continuidade de Daiane no curso técnico fez com que muitas questões surgissem e fossem tema de debate entre os servidores envolvidos. “A cada momento fazíamos um novo exercício sobre como melhorar a nossa didática, lembrando que tínhamos também outros alunos ouvintes em sala de aula”, destaca.

 

Entre os colegas de sala, uma das melhores companhias foi a da amiga Alvina Rosiliane, que também se formará no dia 18 de agosto. “Eu achei que ia ser bem difícil conversar com ela e fazer trabalhos em grupo durante o curso, pois eu não sei Libras. Mas me surpreendi e hoje eu converso com ela com a mesma facilidade com que eu converso com uma colega que me ouve. Inclusive teve disciplinas em que foi ela quem me ajudou, e não o contrário”, lembra.

 

Para a coordenadora do Napne, Veridiane Ribeiro, a formatura da estudante surda é uma conquista para todo o câmpus. “Nós buscamos dar apoio a todos os alunos que possuem alguma deficiência, seja ela temporária ou permanente. Ver a Daiane chegando ao final desta caminhada é um sinal de que, aos poucos, estamos efetivamente proporcionando a inclusão por meio de nossos cursos”, aponta.

 

Clique aqui e confira também o relato gravado pela professora Talita Borges sobre o trabalho realizado com Daiane no curso técnico em Produção e Design de Moda do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro.

 

 

 

 

 

 
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